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Medo: Lourival Sant’anna desvenda a psicologia da sobrevivência em zonas de guerra

Medo: Lourival Sant'anna desvenda a psicologia da sobrevivência em zonas de guerra

O jornalista Lourival Sant’Anna, atualmente analista internacional da CNN, possui uma vasta e marcante trajetória na cobertura de conflitos armados, tendo acompanhado de perto 15 grandes guerras. Em uma recente participação no Marketing Network Brasil 2026, Sant’Anna compartilhou com a audiência suas profundas reflexões sobre o medo, um sentimento intrínseco à sua profissão e à experiência humana em situações extremas.

Ao longo de sua carreira, uma pergunta recorrente em conversas com outras pessoas era: “Você não tem medo?”. A resposta de Sant’Anna era sempre afirmativa: “sim, e detesto sentir medo”. Contudo, ele revelou que, paradoxalmente, o trabalho arriscado nos fronts de batalha servia como uma forma de se desvencilhar de si mesmo, pois, em meio à guerra, a vida das pessoas e os acontecimentos em jogo eram muito mais importantes e reais do que suas próprias apreensões.

A dualidade do medo: imaginação e realidade nos fronts de guerra

Ao aprofundar-se na investigação de seu próprio medo, o correspondente percebeu que a intensidade do sentimento era maior em dois momentos específicos. O primeiro ocorria no avião, durante o trajeto para a zona de conflito, quando a imaginação operava livremente, projetando cenários que ainda não existiam de fato e escalando a ansiedade. O segundo momento de pico era à noite, quando se encontrava sozinho, confrontado com seus próprios pensamentos e a incerteza do dia seguinte.

Sant’Anna relembrou ocasiões em que sua vida foi ameaçada, levando-o a refletir sobre o arrependimento de estar ali por vontade própria e a possibilidade de não retornar para casa e rever seus filhos. Em uma dessas situações, enquanto o exército israelense bombardeava uma rota que ele percorria, o sheik que o acompanhava no mesmo carro ria, dizendo “vamos para o paraíso hoje”. Felizmente, o pior não aconteceu. O jornalista observou que o medo tende a crescer quando o foco está em si mesmo, mas diminui drasticamente quando a atenção se volta para o trabalho e para o propósito maior.

Propósito e verdade: pilares para enfrentar o desconhecido

Para Lourival Sant’Anna, o primeiro passo fundamental para lidar com o medo é estabelecer “um objetivo claro”. Ele ressalta que esse objetivo não precisa ser fixo, podendo se adaptar às circunstâncias. Outro aspecto crucial é a “sinceridade no propósito”. Após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos, por exemplo, ele viajou ao Oriente Médio com o intuito de compreender as justificativas dos Talibãs para o ato e a proteção a Bin Laden, sem julgamento prévio. Ele entrevistou teólogos e sheiks, conseguiu contato com membros do próprio Talibã e, apesar de ter sido expulso, soube que a pessoa que o ajudou arriscou a vida por ver sinceridade em sua busca. Essa experiência resultou em seu primeiro livro, Viagem ao mundo dos Taleban, lançado em 2002.

Sant’Anna aprendeu que falar a verdade economiza energia interna e ajuda a conquistar aliados externos. No entanto, ele também reconhece a necessidade de mentir em contextos específicos, como quando fingiu ser turista para documentar a situação da população na Coreia do Norte, oprimida pelo exército. Em meio a ações proibidas, como fotografar militares, ele baixava as imagens no escuro do hotel, temendo a vigilância do regime.

Aceitar a incerteza e a experiência como repertório

Entre os mecanismos desenvolvidos por Lourival Sant’Anna para gerenciar o medo, destaca-se a capacidade de “descansar na incerteza”, o que significa aceitar o acaso. Por mais que se planeje uma ação, é essencial fazê-lo sem a ilusão de controle total. Ele argumenta que dobrar a aposta em busca de controle apenas aumenta a ansiedade, enquanto aceitar o acaso “tira um peso dos ombros e confere até mais coragem”.

O jornalista também revelou que a confiança excessiva na experiência, esperando que algo se repita da mesma forma, já o prejudicou em diversas ocasiões. Cada vivência é única, e o que funcionou antes pode não se repetir, pois tudo está em constante mudança. Assim, ele enfatiza que a experiência deve ser vista como repertório, e não como uma regra imutável. Em situações de alto risco, o instinto muitas vezes foi determinante para sua sobrevivência, indicando o melhor momento para agir ou recuar. Contudo, a decisão de insistir ou desistir sempre foi guiada pela razão.

Empatia e o presente: lições da sobrevivência em conflitos

Em todas as suas experiências, Lourival Sant’Anna percebeu que a empatia, ao diminuir a importância de si mesmo e focar no outro ser humano, contribuía para minimizar as dores de ambos os lados. Ele se comove ao rever um vídeo em que uma cidadã de uma região de conflito no Oriente Médio, vivendo em meio à guerra, desejava que ele “voltasse em segurança para seu país”.

As guerras, em sua essência, trouxeram ao jornalista a profunda consciência da importância de “viver o momento presente”. Em situações extremas, não há tempo para racionalizar sobre o passado ou o futuro; a única realidade é o agora. Essas lições, forjadas nos campos de batalha, oferecem uma perspectiva valiosa sobre a resiliência humana e a complexidade do medo. Para mais informações sobre jornalismo internacional, visite CNN Brasil Internacional.

Fonte: meioemensagem.com.br

Adriano Dias
Adriano Dias
CEO da Rafes Marketing
www.rafes.com.br

Adriano, publicitário de formação e especialista com 11 anos de experiência. Pós-graduado em marketing de performance, lidero uma equipe apaixonada por resultados extraordinários. Transformo marcas em sucesso com estratégias inovadoras e impactantes.

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