O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) aprovou uma nova edição do seu renomado ‘Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais’. Este documento, fundamental para a ética e transparência no ambiente digital, foi revisado e atualizado pelo grupo de trabalho digital da entidade, entrando em vigor nesta terça-feira, 13 de fevereiro.
Publicado originalmente em 2020, o guia passou por uma readequação para acompanhar as rápidas e profundas transformações no mercado de influência digital. As atualizações abordam temas cruciais como a crescente integração da inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo, a necessidade de maior transparência publicitária, princípios de governança, estratégias de engajamento e, de forma prioritária, a proteção de crianças e adolescentes no consumo de publicidade.
Conar e o avanço da inteligência artificial na publicidade
Uma das inovações mais significativas do novo guia reside nas orientações relacionadas à inteligência artificial. O Conar estabelece que todos os conteúdos criados, editados ou segmentados com o auxílio de IA devem aderir rigorosamente às mesmas regras éticas que regem a publicidade tradicional. Isso garante que a inovação tecnológica não comprometa a integridade e a responsabilidade das mensagens publicitárias.
Bruno Bonfanti, coordenador do Grupo de Trabalho Digital do Conar, destacou a complexidade crescente do ambiente digital. Segundo ele, “Caracterizado pela espontaneidade e pela profusão de fontes de conteúdo, o marketing de influência também impõe desafios significativos. A multiplicidade de novos atores envolvidos amplia a complexidade do ambiente, exigindo maior atenção ao cumprimento da legislação e das normas éticas da publicidade.”
Transparência obrigatória: como identificar conteúdo publicitário
O guia reforça a importância da transparência na identificação de conteúdos pagos. As recomendações são claras: a publicidade deve ser explícita, utilizando ferramentas nativas das plataformas ou termos como “#publi” e “#publicidade”. É crucial que essas identificações estejam visíveis de imediato, sem a necessidade de o usuário clicar em “mais” para revelá-las, garantindo que o consumidor saiba desde o primeiro momento que está diante de um anúncio.
Além disso, em ações promocionais, o documento orienta que a existência de quaisquer benefícios ou estímulos que motivaram a postagem do influenciador seja claramente comunicada ao público. Essa medida visa evitar a percepção de endossos orgânicos quando, na verdade, há uma contrapartida comercial envolvida, fortalecendo a confiança entre influenciadores e sua audiência.
Proteção de crianças e adolescentes: foco redobrado na publicidade
A proteção de crianças e adolescentes é um pilar central das novas diretrizes. O Conar enfatiza que a identificação publicitária para conteúdos direcionados a esse público deve ser ainda mais evidente. A entidade exige cuidados adicionais para prevenir a exploração da credulidade infantil, um grupo especialmente vulnerável às mensagens publicitárias.
Adicionalmente, o guia estabelece que campanhas que envolvam a participação de menores de idade devem contar com o acompanhamento e a supervisão dos responsáveis. Essa medida visa assegurar que os direitos e a integridade dos jovens sejam preservados em todas as etapas da produção e veiculação de conteúdo publicitário.
Marcas e agências: responsabilidade no monitoramento de campanhas
O documento também atribui responsabilidades claras a marcas e agências. Elas são orientadas a monitorar ativamente as campanhas realizadas com influenciadores digitais. Em caso de desconformidade com as normas estabelecidas, é esperado que adotem medidas corretivas ou, se necessário, suspendam os conteúdos em questão.
Essa abordagem colaborativa entre influenciadores, marcas e agências é vista como essencial para a manutenção de um ambiente publicitário digital ético e em conformidade com as expectativas dos consumidores e as diretrizes de autorregulamentação. A atualização representa um passo significativo para aprimorar a credibilidade de todo o ecossistema do marketing de influência.
João Luiz Faria Netto, presidente em exercício do Conselho de Conteúdo do Conar, afirmou que a atualização do guia representa um avanço importante para a autorregulamentação publicitária no Brasil. Juliana Albuquerque, vice-presidente executiva do Conar, complementou que o objetivo primordial é ampliar a confiança dos consumidores nos conteúdos produzidos por influenciadores, ao mesmo tempo em que se fortalece a credibilidade das marcas e dos anúncios veiculados. Saiba mais sobre o Conar.
Fonte: propmark.com.br



